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Tratamento de infertilidade pode causar autismo

Publicado: 31/5/2010
Postado por: Cláudio Lima

Estudos identificaram maior incidência de autismo em mulheres que fizeram tratamentos para engravidar ou fertilização in vitro.

Um estudo apresentado na Reunião Internacional de Pesquisas sobre o Autismo na Filadélfia, Estados Unidos, conduzido por um grupo da Escola de Saúde Pública de Harvard, mostrou que o autismo é duas vezes mais comum em crianças cujas mães foram tratadas com remédios que induzem a ovulação do que em mães que não sofrem de infertilidade. Além disso, os estudos mostraram que, quanto mais tempo a mulher fica exposta o tratamento para infertilidade, maiores as chances de que seu filho tenha autismo.

Um segundo estudo apresentado na conferência por um grupo de Israel achou uma associação entre o risco de autismo e a fertilização in vitro, que também envolve o uso de remédios que estimulam a ovulação. No entanto, esses resultados trazem mais perguntas do que respostas.

O estudo de Harvard envolveu dados de quase 4 mil mulheres. Delas, 111 afirmaram ter um filho com autismo. No entanto, os dados foram baseados em questionários preenchidos pelas próprias mulheres, em vez de registros clínicos, então não havia como confirmar o tempo de tratamento para infertilidade ou o diagnóstico de autismo. Os pesquisadores nem tinham acesso às informações se a criança havia nascido prematuramente, ou se eram gêmeos ou trigêmeos, ou se nasceram com baixo peso, fatores comuns entre mulheres que fazem tratamento. “O autismo está ligado à prematuridade e não ao tratamento”, diz o ginecologista obstetra especialista em reprodução humana Flávio Garcia de Oliveira, pai de Gabriel, Manoela, Pedro, Lucas e Fernanda.

O relatório israelense sobre a fertilização in vitro também é intrigante. O estudo avaliou 564 crianças com autismo que compareceram a um centro de autismo para uma avaliação profunda. Foi constatado que 10,2% das crianças eram resultado de fertilização in vitro, número muito mais alto do que a taxa da população de Israel, que é 3,5%. Mas ainda não é claro se o risco maior de autismo nesses casos pode ser resultado de fatores como a idade da mãe, o parto prematuro ou o nascimento de múltiplos.

Contradição

Há três anos, foi publicada uma pesquisa do departamento de epidemiologia do Instituto de Saúde Pública da Universidade de Aarhus, da Dinamarca, que dizia exatamente o contrário. A pesquisa chegou à conclusão que crianças nascidas por meio de reprodução assistida tem menos chances de desenvolver autismo. As causas não ficaram claras, mas pode haver uma relação com a saúde da mãe antes e durante a gestação.

Fonte: Midia News



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