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Publicado:
1/7/2010
Postado por:
Juliano F. A. Almeida
Cientistas da Universidade College London, no Reino Unido, mostraram que o que está dentro da sua cabeça pode, muitas vezes, não ser tão importante assim – mas faz um barulho danado. O chamado “efeito borboleta”, pelo qual o movimento de uma asa de um inseto no Brasil poderia definir a proporção de um tornado nos EUA, foi testado dentro da caixola. E o resultado, surpreendente.
A equipe causou uma pequena perturbação no cérebro de um rato – o equivalente neural de uma asa de borboleta batendo no mundo – para observar o que acontecia com a atividade cerebral como um todo. A questão era saber se isso era capaz de aumentar, acionar um efeito em cadeia (afetando o resto do cérebro) ou levar o mesmo a morrer.
Os pesquisadores constataram que o feito teve um grande efeito multiplicador: a perturbação de apenas um ponto específico, alterando apenas um neurônio do cérebro, causou cerca de 30 novos pontos neurais abalados, que passaram o ocorrido adiante, para mais 30 neurônios – e assim por diante. A equipe estima que a perturbação de um ponto afetou milhões de neurônios no cérebro. Efeito cascata.
“Este resultado indica que a variabilidade que vemos no cérebro pode ser realmente devido ao ruído, e representa uma característica fundamental da função cerebral normal”, diz Mickey London, do Instituto Wolfson de Pesquisa Biomédica da UCL.
Mas o que isso significa? De acordo com os pesquisadores, a experiência mostra que o cérebro é “pra lá” de barulhento, embora tenha uma capacidade incrível de realizar inúmeras tarefas complicadas com velocidade e precisão. O segredo disso é uma estratégia chamada “taxa de código” – pela qual o cérebro é capaz de identificar, na porção total de informação, qual é utilizável. Os neurônios consideram a atividade do conjunto, mas ignoram a variabilidade individual, ou ruído produzido por eles. Quanto mais informação, mais barulhento.
O artigo sobre o trabalho foi publicado na Nature.
Fonte: Ciência Diária
Mais informações: Nature