Agressão camuflada

Da sua carne não comereis, nem tocareis nos seus cadáveres; esses vos serão imundos.” (Levítico 11:8)

Doenças alérgicas e auto-imunes acometem grande parte das pessoas com manifestações sutis em praticamente todos os órgãos do corpo. Em nossa prática clínica temos observado remissão significativa destas doenças ao excluirmos os produtos suínos. Assim podemos subentender que os suínos causam agressão imunológica e não somente química. Esta diferença não é nítida em nosso universo cultural.

O que costumamos compreender é a agressão química, ou seja: um determinado produto que ingerido ou inalado agride determinados órgãos, preferencialmente pulmões, fígado e rins. O exemplo mais conhecido é o álcool que agride por contato a parede do estômago e metabolicamente o fígado e o tecido neurológico, provocando sintomas imediatos de euforia seguido de torpor, e sintomas tardios de insuficiência hepática e neurites. A agressão química é dose-dependente (quanto mais o produto é absorvido maior a agressão que causa).

A agressão imunológica é dose-independente (não depende da quantidade absorvida), é qualitativa, tal como o fruto proibido do paraíso, pois não é necessário ingerir, somente se aproximar e sentir o cheiro ou tocar já é suficiente para desencadear uma seqüência de reações disseminadas por todo o corpo, interna e externamente. Estas reações são mediadas por anticorpos (proteínas construídas especificamente para ligarem-se ao corpo estranho). O exemplo mais nítido é aparecer um grosseiro vermelho seguido de coceira pelo corpo quando se inala um perfume. A quantidade de moléculas do perfume que está “flutuando” no ar é ínfima, dificilmente perceptível por algum equipamento, mesmo os de alta tecnologia. A reação de coceira, inchaço, vermelhidão não é causada pelo perfume em contato com os tecidos como no caso do álcool, mas por substâncias semelhantes a ácidos (aminas vasoativas) que as células sangüíneas liberam. É fundamental compreender este mecanismo, pois as células sangüíneas estão circulando em todo o corpo, desde a raiz de um cabelo, até dentro do olho, do cérebro, pulmões, coração e de todos os órgãos internos. Estas aminas vasoativas liberadas principalmente pelos linfócitos T e macrófagos (células sangüíneas) podem tanto causar um bronco-espasmo (asma) como uma dor de cabeça (alergia cerebral).

As reações imunológicas são extremamente complexas e pouco compreendidas até o momento. Além das reações celulares temos uma infinidade de reações químicas com a participação de proteínas (anticorpos), enzimas (catalisadoras e biodigestoras), gorduras, hormônios, íons (sais), gases (oxigênio, gás carbônico) que variam de acordo com o nível de acidez do sangue (pH), a pressão arterial e tantos outros fatores que seria exaustivo elencá-los. Podemos enumerar os passos a seguir com vistas a uma compreensão genérica:

1 – Um antígeno (substância ou organismo estranho, potencialmente agressor) é identificado pelas células de defesa do sangue (linfócitos T).

2 – Esta identidade física, química e funcional é transferida para a medula óssea (linfócitos B) que constrói anticorpos (proteínas) especialmente desenhados para desativarem o antígeno.

3 – Estes anticorpos são colocados na corrente sangüínea em proporção exponencial à freqüência com que os antígenos são identificados (tendo como base a quantidade destes anticorpos preexistentes).

4 – Quando os anticorpos encontram os antígenos, inativa-os, ligando-se a estes através de reações químicas estáveis, formando o complexo antígeno-anticorpo.

5 – Estes complexos são identificados pelas células de defesa (macrófagos) que os englobam e os digerem quimicamente através de substâncias semelhantes a ácidos.

6 – Esta digestão desmancha a própria célula de defesa que se transforma em “pus”.

7 – Os “ácidos” e restos celulares oriundos deste processo irritam o lugar onde se encontram causando inflamações.

8 – Dependendo do lugar onde ocorre a inflamação serão observados os sintomas locais e sistêmicos, imediatos e tardios (pele – inchaço, coceira; pulmões – bronco-espasmo; seios da face – sinusite; articulações – artrite; tireóide – tireoidite).

9 – Determinado por fatores genéticos e pela hiper-estimulação antigênica ambiental (principalmente através dos alimentos e fungos) acabamos por formar anticorpos que atacam as células do nosso próprio corpo, são os anticorpos auto-imunes.

10 – Os restos celulares decorrentes das inflamações causadas por estes anticorpos auto-imunes estimulam o sistema de defesa aumentando progressivamente estes tipos de anticorpos, formando um círculo vicioso onde os níveis dos anticorpos auto-imunes chegam a centenas de vezes acima do normal.

Em posse destes conceitos genéricos podemos diferir claramente as reações químicas das imunológicas, onde a primeira agride diretamente as células, e a segunda gera anticorpos que nos agridem.

Voltando aos suínos, eles passam a ter um significado especial quando vistos sob este prisma, pois são extremamente antigênicos (estimulam a formação de anticorpos) e encontram-se vastamente disseminados em nossa cultura alimentar.

A seguir citamos alguns produtos contaminados com suínos, com o intuito de auxiliar aqueles que querem livrar-se desta agressão camuflada:

Embutidos. Praticamente todos têm alguma proporção de suínos, muitas vezes misturados com eqüinos. Até na lingüiça de frango a “tripa” é de porco. Para ratificar eis os mais freqüentes: salsicha, lingüiça, mortadela, presunto, salame, chouriço.

Pão comum (francês, bengala, etc.). Aproximadamente 50% das dezenas de padarias que investigamos pessoalmente utilizam banha de porco na composição dos seus produtos, especialmente os crocantes como a massa folhada e os doces confeitados.

Salgadinhos sabor bacon ou presunto.

Massas recheadas tipo lasanha, ravioli. Geralmente contém subprodutos suínos.

Sanduíches. Geralmente contém lascas de bacon ou são preparados na mesma chapa onde foram fritos produtos suínos.

Churrascos. Geralmente são mesclados com carne suína ou recebem o gotejamento de produtos suínos localizados em andares superiores dentro da churrasqueira. Lembrar que as carnes distribuídas nos açougues estão em geral contaminadas com suínos ao serem manuseadas com as mesmas lâminas e nos mesmos cepos.

Pratos compostos, tipo farofa, risoto, maionese, saladas, bife rolê, feijão. Muitas vezes contém presunto ou bacon picado.

Banha como substituto do óleo. Muito utilizada em restaurantes comerciais e industriais assim como em alguns ambientes domésticos.

Chocolates. Quando trazem “gordura animal” entre os ingredientes estampados no rótulo (Temos observado em metade dos bombons da “Garoto”).

Gelatinas. São preparadas com raspas de couro animal, em alguns casos usando suínos, como por exemplo os produtos “Otker”.

Queijos. Aproximadamente 20% dos queijos são preparados com “coalho” suíno, e outro tanto com coalho transgênico. Coalho ácido, assim como leite proveniente de animais que não utilizam rações seriam os insumos adequados para a fabricação de queijo saudável. Este padrão de qualidade é mantido há anos nas marcas “Tradição” e “Porto Belo”, provenientes de Rondônia e disponíveis em grandes redes como o “Pão de Açúcar”.

Fatiados. Lembrar que as lâminas nos estabelecimentos comerciais geralmente estão contaminadas com produtos suínos.

Sorvetes de massa. Tenho observado que marcas como Kibom, Gelato e similares apresentam reações clínicas que sugerem a possibilidade de contaminação suína. A marca La Basque não apresenta reações.

Sabonete, sabão em pedra e detergentes Ypê e Minuano e pasta dental também sugerem contaminação. Saponáceos que utilizam somente gordura vegetal são mais seguros.

Glicerina (todos os produtos que contém essa substância no rótulo).

Quanto à gordura vegetal hidrogenada ainda não conseguimos esclarecer se fazem mistura com produtos animais durante os processos de fabricação, no entanto vale a pena lembrar que grande parte da gordura vegetal hidrogenada é composta de óleo de soja, sendo atualmente transgênica.

Há muito para ser estudado e compreendido, mas esperamos que a consciência quanto a estes produtos camuflados contribua de forma significativa para o alívio do sofrimento de muitos.

Sabemos que é necessário algo mais do que a simples conscientização; a ousadia da exclusão absoluta destes produtos do nosso dia a dia, associada à criatividade por parte daqueles que organizam e preparam os alimentos de forma artesanal ou industrial.

Quando os responsáveis pela alimentação estiverem mais preocupados com qualidade e equilíbrio alimentar teremos chegado a um patamar de plenitude de vida mais próximo daquilo que a natureza insinua em suas diversas manifestações; perceberemos naturalmente pela nossa observação e sensibilidade aquilo que pode nos fazer mal como alimento, e evitaremos como uma simples questão de bom senso.

Temos observado que reações imunológicas acontecem praticamente em todos os tecidos do corpo, desde um folículo piloso até células endócrinas, existindo uma hierarquia de acometimento. Esta hierarquia respeita a função básica do sistema de defesa que é a identificação e inativação dos produtos estranhos e potencialmente agressivos ao nosso corpo. Estes produtos podem ser vírus, bactérias, protozoários, tecidos inertes, substâncias químicas (especialmente as tintas) e alguns que não compreendemos muito bem, como por exemplo a cristalização iônica do dipolo álcool-água constituinte dos medicamentos homeopáticos. Aspecto sempre presente é a potencialização ou desencadeamento por questões emocionais.

Na vacinação anti-tetânica tomamos três doses com intervalo de 2 meses e construímos os anticorpos específicos, assim podemos entrar em contato com o toxóide tetânico durante 10 anos e não adoecemos.

Padecimentos obscuros como “alergia cerebral” que nos atormentam diuturnamente com “aquela dorzinha de cabeça” ou a confusão intelectual que só percebemos depois que desaparece são um exemplo desse processo, assim como aquelas cólicas abdominais que aparecem e desaparecem sem um fator causal muito bem definido. No outro extremo, ao entrarmos em contato com um antígeno conhecido, pode acontecer a  asfixia causada por inchaço súbito da garganta.

Quando estes anticorpos se apresentam em grande quantidade acabam por “inativar” nossos próprios tecidos, especialmente se o “molde” for constituído de proteínas animais, assim como nosso corpo (os suínos, por ex. possuem extrema semelhança bioquímica conosco). Este processo é a formação e deposição de imuno-complexos, que desencadeará as mais diferentes doenças auto-imunes e alérgicas.

Os anticorpos, circulando pelo sangue em todos os tecidos do corpo, acabam por desencadear reações nos lugares onde o indivíduo esteja vulnerável ou susceptível, seja por fatores genéticos, seja por fatores ambientais ou estresses localizados. Assim teremos deposição de anticorpos ligados aos alergenos em glândulas como tireóide causando tiroidite; em cartilagens como as articulares, causando artrites; em “peles” internas como por dentro do coração, causando o “enrugamento” das válvulas; e consequentemente os vulgos “sopros” ou vazamento de sangue por estas válvulas.

Sinais clínicos e inflamações agudas ou crônicas que podem conter aspectos alérgicos e auto-imunes

Inflamações da Pele:

edemas (inchaço)
pruridos (coceira)
alopécia (queda de cabelos)
eritemas (vermelhidão)
pápulas (granulações)
acne
pústulas (pontos purulentos)
úlceras (feridas)
dificuldade em cicatrizar
desidrose (descamações)

Respiratória:

rinite
conjuntivite
sinusite
otite
faringite
bronquite

Digestiva:

aftas
esofagite
gastrite
úlceras
enterite
colite

Genital:

vaginite (corrimento)

Inflamações Internas:

hepatite
leucopenia
artrite
tendinite
miosite
cardite
neurite
encefalite

Desequilíbrio hormonal:

tiroidite
diabetes
endometriose
metrorragia
irregularidade menstrual
infertilidade
tensão pré-menstrual

Ao excluirmos os antígenos alimentares animais, os sintomas melhoram e tendem a desaparecer. A partir de dez dias podemos observar mudanças mensuráveis, clínicas e sorológicas.

Os anticorpos que estamos identificando acentuada queda são os seguintes:

ASLO (Anti-eStreptoLisina – O)
Ab-TPO (anti-TireoPerOxidase)
Ab-TG (anti-TireoGlobulina)

Exames complementares indicam:

Diminuição da VHS (velocidade de hemossedimentação)
Melhora de leucopenia

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