Bisfenol A altera desenvolvimento de óvulos e aumenta risco de síndrome de Down

Pesquisadores da Universidade Autônoma de Barcelona, ​​em colaboração com o Departamento de Obstetrícia e Banco de Tecidos Fetais do Hospital Vall d’Hebron, têm analisado os efeitos do bisfenol A (BPA), um polímero amplamente utilizado para a fabricação de plásticos, na cultura in vitro dos ovários. A pesquisa mostra que a exposição a esta substância altera severamente o desenvolvimento dos ovócitos e futuros óvulos, possivelmente diminuindo a fertilidade futura dos filhos de mães expostas, além de poder aumentar o risco de síndrome de Down nas futuras gerações.

A pesquisa foi realizada utilizando 21.570 oócitos cultivados in vitro. Os resultados mostram que a exposição ao bisfenol A é prejudicial para o feto, mesmo em concentrações dentro da faixa permitida pelas autoridades de saúde. O BPA reduz o número de ovócitos (as células precursoras do óvulo), o que poderia afetar negativamente a fertilidade das mulheres e duplica o risco de troca de cromossomos no processo de divisão celular. A observação específica do cromossomo 21 no desenvolvimento de 90 oócitos mostrou que a exposição ao BPA pode aumentar o risco de síndrome de Down na prole futura do feto.

A pesquisa fornece evidências conclusivas para o debate sobre os efeitos do BPA sobre a saúde das pessoas. Estudos anteriores em ratos e vermes já mostraram que não há efeitos na reprodução, e que a exposição ao BPA durante a gravidez afeta a viabilidade e a qualidade das células precursoras dos óvulos no desenvolvimento do feto.

A pesquisa analisou, pela primeira vez em células humanas, o processo de divisão celular do óvulo, a meiose, durante a qual os cromossomos devem se unir e trocar informações (recombinação meiótica). Os oócitos foram cultivados por 7, 14 ou 21 dias em diferentes ambientes, com a presença de BPA e culturas controle sem a substância. Os dados obtidos in vitro em células humanas foram praticamente idênticos aos obtidos com modelos animais in vivo, e os efeitos sobre a recombinação meiótica, o que pode levar ao aparecimento da síndrome de Down, são ainda maiores em seres humanos do que em camundongos.

“Segundo nossos resultados, o BPA não afeta diretamente a fertilidade da mulher grávida, mas a de de suas filhas e netas, é um efeito de várias gerações”, explica a professora da UAB Montserrat Garcia Caldés, diretora do estudo. “O aumento da mortalidade dos oócitos no feto pode reduzir a reserva ovariana e qualidade dos óvulos na futura mãe, e a alteração na recombinação dos cromossomos no processo de divisão celular aumenta a probabilidade de alterações numéricas, como monossomia (uma cópia de um cromossomo nas células do embrião), ou trissomia (três cópias). “

As concentrações utilizadas nos experimentos estão dentro da faixa de segurança descrita pelas autoridades europeias (EFSA) e norte-americanas (EPA), de modo que o estudo sugere que estar dentro dos limites legais não significa que a exposição é segura.

“Estamos diariamente expostos ao BPA, principalmente por via oral, já que o encontramos em lancheiras, garrafas de bebida ou os plásticos isolantes de comida, por exemplo”, diz Miguel Angel Brien-Enriquez, autor principal do artigo, procedente da Universidade de San Luis Potosi, México, e pesquisador do Departamento de Biologia Celular, Fisiologia e Imunologia da UAB. “Embora, em geral o metabolizamos de maneira regular, nas mulheres grávidas sua depuração é alterada e pode atingir altas concentrações nos fetos. “

A pesquisa, publicada em Human Reproduction, teve participação também de pesquisadores do Grupo de Investigação de Endocrinologia Pediátrica do Instituto de Ivestigação Vall d’Hebron.

Fonte: Universitat Autònoma de Barcelona

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