Composto químico encontrado em morangos melhora memória

Há muito tempo que as mães encorajam seus filhos a ingerirem frutas e vegetais. Mas uma vez que as crianças estejam longe dos olhos vigilantes da mãe, os verdes odiados geralmente saem do caminho para entrarem as bonecas Barbie e os Power Rangers. Agora, há outra razão para continuar ingerindo frutas coloridas mesmo depois da adolescência.

A fisetina, um flavanóide que ocorre naturalmente e comumente encontrado em morangos e outras frutas e vegetais, estimula caminhos sinalizadores que intensificam a memória de longo prazo, relataram pesquisadores da Salk Institute for Biological Studies.

Aproximadamente um terço das pessoas com 60 anos ou mais sofrem com problemas de memória. À medida que a idade média da população americana sobe, o número de pessoas afetadas pela doença de Alzheimer e outras formas de demência continua a aumentar.

Maher descobriu que alguns desses compostos, incluindo fisetina, induziram diferenciação ou maturação das células neurais. Maher explica, “Isso nos mostrou que esses componentes podem ser particularmente benéficos, já que eles podem não apenas evitar que as células neurais morram, mas podem promover novas conexões entre células nervosas”.

De forma interessante, o caminho sinalizador ativado pela fisetina na diferenciação neural também desempenhou um papel na formação da memória, um processo que neurocientistas chamam de “potenciação em longo prazo” ou LTP. A LTP permite que memórias sejam armazenadas no cérebro reforçando conexões entre os neurônios. “Nós queríamos descobrir se podíamos detectar qualquer efeito da fisetina na potenciação de longo prazo e a formação de memórias em animais,” relembra Maher.

Como o hipocampo desempenha um papel importante para formar novas memórias, Maher e co-autores, Tatsuhiro Akaishi e Kazuho Abe, ambos da Musashino University em Tóquio, Japão, estenderam o estudo e descobriram que a fisetina ativa o mesmo caminho sinalizador no tecido hipocampal de ratos e também induz LTP.

Depois, eles testaram os efeitos da fisetina em um teste chamado de teste discriminação de objetos em camundongos. Os camundongos começaram a explorar dois objetos durante um certo tempo. No dia seguinte, um dos objetos foi substituído por outro novo. Se o camundongo lembrasse o objeto do dia anterior, eles gastariam menos tempo explorando o velho e imediatamente voltariam sua atenção para o objeto novo. Realmente, camundongos que receberam uma dose única de fisetina podiam lembrar melhor de objetos familiares. De fato, a fisetina trabalha quase tão bem quanto o rolipram, uma substância conhecida por aumentar a memória.

A perda de memória causada por doença neurodegenerativa ocorre devido à perda de neurônios, uma situação muito diferente daquela em camundongos sadios. Dessa forma, o objetivo final é parar com a perda de neurônios. Apesar disso, drogas que melhoram a memória podem melhorar os sintomas da doença de Alzheimer.

As observações de que a fisetina protege e promove a sobrevivência de neurônios cultivados e estimula a memória em camundongos sadios faz dela uma candidata promissora para estudos adicionais. Maher nota, “Essa é a primeira vez que a função de um produto natural é caracterizada no nível molecular no sistema nervoso central e também mostra que tanto o LTP in vitro quanto a memória dem longo prazo in vitro aumentar.”

“A boa noticia é que a fisetina está disponível em morangos, mas a má notícia é que por causa do seu estatus de produto natural, existe pouco interesse financeiro em realizar testes clínicos com humanos sobre doenças associadas à perda de memória, tal como Ahzheimer, onde as opções de tratamento são muito limitadas correntemente,”disse Maher. Além de morangos, a fisetina é encontrada no tomate, cebola, laranja, maçã, pêssego, uva, kiwi e caqui. Gingko biloba, mesmo rico em outros flavanóides, não contém fisetina.

Fonte: Proceedings of the National Academy of Sciences

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