Conheça a Síndrome da Visão do Computador

Síndrome da Visão do ComputadorO advento do computador diminuiu as distâncias. O seu uso massivo trouxe uma identificação universal. Em 1990 existiam 40 milhões de computadores no mundo, em 2008 um bilhão e estima-se que em 2014 chegue a dois bilhões. Hoje em dia quase todos os empregos estão informatizados e é praticamente impossível as pessoas viverem sem esse equipamento. Mas, se por um lado representou um avanço sem precedentes, por outro a vida eletrônica trouxe malefícios inclusive à saúde, pela superexposição à tela do computador.

Olhos vermelhos e secos, problemas de audição, dores de cabeça, nas costas e no pescoço, fadiga e dificuldade em conseguir foco são atribuídos ao seu uso prolongado, por mais de quatro horas. Esses sintomas podem causar um distúrbio ocular – que pode levar a problemas mais sérios, se não for tratado – que atende pelo nome de Síndrome da Visão do Computador, no inglês Computer Vision Syndrome (CVS).

Pesquisa desenvolvida pela optometrista Adriana Castillo Estepa na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) mostrou que, num universo de 53 professores universitários, 56,5%, ou seja, 30 deles, apresentavam esse distúrbio, o que pode trazer uma redução da produtividade e da qualidade de vida daqueles que permanecem horas na frente do computador sem a devida pausa.

Segundo o que apurou a sua investigação, os sintomas que mais os incomodavam quando trabalhavam com o Personal Computer (PC) eram fadiga, ressecamento e irritação oculares.

Outro achado relevante foi que 27 dos 53 docentes apresentavam problemas binoculares (capacidade de ver tridimensionalmente, permitindo fazer cálculos mentais instantâneos de profundidade e de distância para se situar no espaço físico), especialmente insuficiência de convergência. Isso influía na apresentação de sintomas visuais no momento de usar o PC ou de fazer tarefas em visão de perto.

Além disso, 19 professores tinham a forma leve da síndrome, dez a moderada e um a severa. “O pior é que, na maioria dos casos, estes problemas ainda não tinham sido diagnosticados”, revela.

Quadro

A Síndrome da Visão do Computador pode se manifestar durante ou depois do trabalho com o PC. De acordo com a mestranda, esse distúrbio começou a ser relatado cientificamente com a popularização dos computadores, nas décadas de 1980 e 1990. Grande parte dos relatos apontava que a síndrome tinha uma alta prevalência nos usuários de computadores e alertava que poderia se tornar a epidemia do século 21.

Adriana conta que diagnosticou vários casos da CVS em trabalhadores que usavam o PC por uma longa jornada. Chamou-lhe a atenção o volume de casos e a pouca informação dada tanto pelos pacientes quanto pela comunidade médica para os aspectos preventivos e tratamento da síndrome.

Ao ingressar no mestrado em Saúde Coletiva, a mestranda verificou que o uso de computadores estava aumentando, bem como a sua preocupação e a da sua orientadora, a docente da FCM Aparecida Iguti, com a saúde do trabalhador.

Decidiram estudar a síndrome nos professores da Unicamp, visto que essa população faz uso diário do computador e, para esse grupo, tal ferramenta é imprescindível.

Um dos passos do estudo foi levantar a frequência de casos da CVS entre os professores universitários e encontrar os principais fatores de risco da síndrome, além dos sintomas visuais e oculares que mais incomodavam esse público-alvo.

Conforme a optometrista, essa amostra foi escolhida sobretudo pela quantidade de horas que os professores passam trabalhando com os computadores e pelas tarefas que desenvolvem, as quais requerem alta concentração, grande esforço mental, sem falar no vício de fazer reduzidíssimas pausas.

Apesar do foco de sua pesquisa ser o professor, Adriana comenta que, em crianças, o processo é o mesmo. Elas não devem estar expostas a largas jornadas no computador, por mais de duas horas. Quando isso acontecer, necessitam estar cercadas de hábitos mais saudáveis, com os pais enfatizando posições ergonômicas adequadas.

Comumente, usar o computador na cama ou no sofá, esclarece ela, pode causar distúrbios visuais e muscoloesqueléticos, ainda mais porque a visão das crianças até os nove anos de idade está em desenvolvimento constante.

Até essa idade é fundamental vigiar de perto a sua saúde visual, aconselha. As crianças devem ser avaliadas obrigatoriamente a cada ano por um profissional da saúde visual, porque problemas visuais não corrigidos na infância podem ser irreversíveis na idade adulta.

Fonte: Jornal da Unicamp