Excesso de açúcar pode afetar o cérebro, sugere estudo

Há mais de um século fomos alertados:

“Em geral, usa-se demasiado açúcar no alimento. Bolos, pudins, massas folhadas, geléias e doces são causa ativa de má digestão. Especialmente nocivos são os cremes e pudins em que o leite, ovos e açúcar são os principais elementos. Deve-se evitar o uso abundante de leite e açúcar juntos” (Ciência do Bom Viver, p. 301)

“O livre uso de açúcar em qualquer forma tende a obstruir o organismo, e não raro é causa de doença” (Conselhos Sobre Regime Alimentar, p. 197).

“É bom deixar fora o açúcar nas bolachas que se fazem. Alguns gostam mais das bolachas mais doces, mas estas são nocivas aos órgãos digestivos” (idem, p. 321)

“O açúcar abarrota o organismo. Entrava o trabalho dos órgãos. Houve um caso em Montcalm County, Michigan: tratava-se de um homem nobre. Media mais de um metro e oitenta e era de bela aparência. Fui chamada a visitá-lo em sua doença. Eu havia conversado anteriormente com ele a respeito de sua maneira de viver. “Não gosto da aparência de seus olhos”, disse eu. Ele estava usando grande quantidade de açúcar. Seu alimento não o satisfazia, simplesmente porque a esposa não sabia cozinhar” (idem, p. 327).

“Sento-me com freqüência à mesa de irmãos e irmãs, e vejo que eles usam grande quantidade de leite e açúcar. Isso obstrui o organismo, irrita os órgãos digestivos, e afeta o cérebro. (…) E segundo a luz que me foi dada, o açúcar, quando usado abundantemente, é mais prejudicial que a carne” (idem, p. 328).

Cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) alimentaram dois grupos de ratos com uma solução contendo xarope de milho rico em frutose — um ingrediente comum em alimentos processados — e água potável durante seis meses.

Um grupo de ratos tomou também um suplemento de ácidos-graxos ômega-3, que estimula a memória, na forma de óleo de linhaça ou ácido docosahexaenóico (DHA), enquanto o outro grupo não fez o mesmo.

Antes do início da ingestão de açúcar, os ratos passaram por um treinamento de cinco dias em um complexo labirinto. Os roedores foram colocados novamente no labirinto seis semanas depois de ingerirem a solução doce para ver como se saíam.

“Os animais que não tomaram DHA foram mais lentos e seus cérebros demonstraram um declínio na atividade sináptica”, afirmou Fernando Gomez-Pinilla, professor de neurocirurgia na Escola de Medicina David Geffen, na UCLA.

“Suas células cerebrais tiveram dificuldade em enviar sinais entre si, prejudicando sua capacidade de pensar com clareza e lembrar o caminho que tinham aprendido seis semanas antes”, acrescentou.

Uma análise mais detalhada nos cérebros dos ratos revelou que aqueles que não foram alimentados com suplementos de DHA também desenvolveram sinais de resistência à insulina, hormônio que controla os níveis de açúcar no sangue e regula a função cerebral.

“Uma vez que a insulina consegue penetrar a barreira sangue-cérebro, o hormônio pode sinalizar os neurônios, gerando reações que comprometem o aprendizado e causam perda de memória”, disse Gomez-Pinilla.

Em outras palavras, comer frutose demais pode interferir na capacidade da insulina de regular como as células usam e armazenam açúcar, o que é necessário para o processamento de pensamentos e emoções.

“A insulina é importante no corpo para controlar o açúcar no sangue, mas pode desempenhar um papel diferente no cérebro, onde parece afetar a memória e o aprendizado”, disse Gomez-Pinilla.

“Nosso estudo demonstra que uma dieta rica em frutose afeta tanto o cérebro quanto o corpo. Isto é algo novo”, acrescentou.

“Nossas descobertas mostram que o que você come afeta como você pensa”, emendou Gomez-Pinilla.

“Ingerir uma dieta rica em frutose a longo prazo altera a capacidade do cérebro de aprender e lembrar informações. Mas adicionar ácidos-graxos ômega-3 nas refeições pode ajudar a minimizar os danos”, acrescentou.

O xarope de milho rico em frutose é comumente encontrado em refrigerantes, condimentos, comida de bebê e lanches processados.

Comer açúcar demais pode consumir toda a sua energia cerebral, revelaram cientistas americanos que publicaram um estudo nesta terça-feira (15/5) no “Journal of Physiology”, demonstrando como uma dieta com base em xarope de milho rico em frutose afetou a memória de cobaias.

Fonte: Portal G1

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