Inveja: Uma doença da alma!

Ai, que inveja!

“A menina de 14 anos queimada pela de 16, em uma escola pública da cidade de São Paulo, foi ferida brutalmente por ser bonita. Era tida como “a mais bonita da escola”. Todos que deram depoimento ali na escola apontaram isso: ciúmes, sim, mas antes de tudo, inveja. Ela seria agredida, mais cedo ou mais tarde. Teria de ter sorte de passar pela juventude sem despertar o ódio.”

Quem nunca conheceu uma pessoa invejosa??? Quem nunca sofreu na pele as conseqüências de ser objeto de inveja???

Infelizmente este mal afeta milhares de pessoas…Sim inveja é uma doença e pode levar á loucura, á prisão e até á morte… A inveja é uma doença da alma…O reflexo da incompetência daqueles , que não conseguem com o trabalho e com o estudo conquistar algo melhor.A inveja faz com que o invejoso comece a querer as coisas do invejado. A querer a casa, o carro, o emprego e até mesmo ser como o objeto da sua inveja.

Saiba como se livrar desse mal

De todos os sentimentos, talvez a inveja seja o pior. Ela é desencadeada por diversos fatores e estimulada pela sociedade, que ensina desde cedo que não se pode ter o pior embora mostre que sempre há quem ganhe e quem perca. Quem é invejado certamente possui qualidades que faltam ao invejoso. Normalmente, quem sente inveja sofre mais que o invejado, que sofre quando o invejoso o prejudica, seja ao falar mal, ao prejudicá-lo no trabalho, na vida pessoal e em muitos outros casos.

Às vezes o invejoso é alguém que consideramos amigo e, por isso, não conseguimos notar o que ele realmente sente por nós. O invejoso deseja ter algo que outra pessoa possui, quer estar no lugar do outro ou deseja que ele perca aquela qualidade que tanto almeja, ou seja, o objeto da inveja. Muitas vezes o invejoso arquiteta planos para ocupar o lugar do invejado, e se dedica a isso em vez de procurar seu próprio caminho. Por isso, é preciso ter cuidado, ficar atento, e saber reconhecer quando há um invejoso por perto.

A psicóloga Elaine Cruz atenta para as diferenças entre inveja, admiração e ciúmes. “As pessoas costumam confundir a inveja com ciúmes ou admiração. Ciúmes é o medo de perder algo que se tem. Só se tem ciúmes de algo que é seu, seja um objeto ou uma pessoa. Não se pode ter ciúmes do que não se possui. Já a admiração não é ciúmes, você até quer estar ao lado da pessoa, mas você não quer que ela perca o que tem. Ou, então, admira alguém que você não quer ocupar uma posição semelhante, mas que é digno de admiração. É normal admirar outras pessoas, e isso serve de estímulo para se chegar onde deseja. É possível aprender com as pessoas admiradas como conseguir o que se estima”.

Como a inveja se desenvolve?

A capacidade de identificar diferenças entre as pessoas surge por volta dos seis anos de idade. É nessa época que se começa a enumerar as qualidades e os defeitos das pessoas e surgem os apelidos na escola. As pessoas passam a ser reconhecidas por suas características que despertam mais atenção. Quando as pessoas vão crescendo, nem sempre conseguem obter satisfação no que desejam. Assim nasce a inveja por pessoas que o invejoso julga possuírem algo essencial para si. “Quem sente inveja acha que o invejado tem o que quer, o que nem sempre é verdade. A pessoa apenas sabe apreciar suas próprias qualidades”, explica Elaine.

Os sentimentos são estimulados de acordo com o local em que se vive. Quando alguém desenvolve maus sentimentos a respeito de si mesmo, aparece a inveja. Quando há fama, as pessoas ficam mais visíveis e a inveja costuma ser maior. Mas o invejoso pode ter inveja de quem possui uma vida normal e brilha por si só, pois não aprendeu a apreciar a si mesmo. Dessa forma, qualquer coisa que falte pode ser razão para nascer a inveja, pois deseja-se ser o melhor e ter destaque em muitas coisas. “O ideal é ter um pouco de cada virtude para ser uma pessoa completa e satisfeita. Aqueles que têm uma imensa notoriedade em um aspecto e são esquecidos em outros dificilmente encontram o equilíbrio necessário para uma vida harmoniosa”, salienta a psicóloga.

Quando a inveja vira doença

É preciso ter cuidado para a inveja não se tornar uma doença. Foi o que aconteceu com Camila*, que perdeu a identidade ao imitar uma amiga. Ela conheceu Ágata*, de quem se tornou amiga. Quando Ágata começou a namorar, tudo era razão para Camila arranjar briga e elas se afastaram por um tempo. Embora Camila sempre insinuasse coisas ruins sobre Ágata, elas voltaram a se falar. “Quando andava com ela, me sentia feia, gorda, burra e tudo o que há de pior. Escolher uma roupa para sair era um martírio”, lembra a estudante Ágata, 22 anos. A situação piorou quando Camila começou a querer viver a vida de Ágata. Ela convidava pessoas para ir ao Guarujá, mas a casa de praia era de Ágata. Além disso, usava as roupas da amiga mais que a própria dona. A gota d’água foi quando Ágata arrumou um namorado novo e Camila fez de tudo para separá-los. Ágata diz que não sabe como a amizade durou nove anos. “Acho que ela fez uma lavagem cerebral em mim que me fez crer que eu era tão chata, feia e burra que ninguém ia querer ser minha amiga. Ela odiava que eu fizesse novas amizades, falava mal dos meus amigos, arrumava confusão e pintava todo mundo como o capeta. Depois que parei de falar com ela, meus amigos vieram me dizer que a achavam prepotente, falsa e insuportável”, diz.

A secretária Dara Peixoto, 27 anos, sofreu com a inveja de uma vizinha, Meri. Ela invejava a amizade de Dara e Roseli, que estavam sempre juntas. A inveja cresceu quando Dara e Ronaldo começaram a namorar. O namoro terminou quando Meri convenceu Ronaldo a transar com outra mulher. “Terminei o namoro, pois não conseguia mais confiar nele”, lamenta.

O que o invejoso deve fazer?

Para abandonar a inveja é fundamental descobrir suas próprias qualidades. “As pessoas desenvolvem a inveja porque não reconhecem as qualidades que possuem. Elas devem aprender a se olhar no espelho para descobrir o que há de bom nelas”, destaca a psicóloga. Isso pode ser um pouco difícil no começo, devido à baixa auto-estima, freqüentemente encontrada em invejosos. Uma dica é perguntar sobre suas qualidades às pessoas com quem convive. Assim fica mais fácil descobrir e trabalhar o que há de bom em si. Aqueles que sentem inveja precisam desenvolver suas potencialidades e ter consciência de que podem ser admirados e felizes. “Só é possível ser alguém pleno ao desenvolver suas próprias qualidades. Para isso, a pessoa precisa se perguntar do que gosta, o que quer e como pode conseguir o que almeja”, ressalta Elaine. Depois é só aproveitar, ser muito feliz, e deixar que os invejosos morram de inveja.

* os nomes foram trocados para preservar a privacidade das fontes

Fonte: Revista Paradoxo