Nobel de Medicina: amor pela natureza e inspiração familiar marcaram ganhadores

O amor pela natureza e a inspiração gerada por seus pais contribuíram para impulsionar a carreira de dois dos três cientistas premiados nesta segunda-feira com o Nobel de Medicina por suas pesquisas sobre o sistema imunológico.

O americano Bruce Beutler e o francês nascido em Luxemburgo Jules Hoffman ganharam o prêmio juntamente com o canadense Ralph Steinman, que morreu na última sexta-feira, vítima de um câncer.

Hoffman, 70, citou o pai, originário de uma família de agricultores e que trabalhava como professor de ciências do ensino médio, enquanto criava, ao mesmo tempo, uma ampla coleção de insetos.

“Durante toda a vida ele passou seu tempo livre recolhendo e identificando insetos, e me transmitiu sua paixão por esse grupo excepcionalmente diverso e importante de animais durante nossos numerosos estudos de campo”, diz Hoffman em uma biografia enviada à AFP.

Quando adolescente, Hoffman demorou a definir seu caminho. Até que decidiu seguir os rumos de seu pai e estudar biologia, para se tornar professor em Luxemburgo. Após ingressar na Agência Nacional de Pesquisas Francesa, começou a estudar as defesas antimicrobianas dos gafanhotos.

Na década de 1990, como diretor do laboratório, dedicou-se a estudar a imunidade congênita da mosca drosófila. Em 1996, descobriu que essa mosca tinha que ativar um gene chamado Toll para poder se defender de bactérias e fungos.

Hoffman, hoje presidente da Academia Francesa de Ciências, é casado e tem dois filhos, que vivem em Paris e seguem a carreira acadêmica.

O outro ganhador do Nobel, Bruce Beutler, pesquisador dos sistemas imunológicos dos ratos e das drosófilas, também disse ter se inspirado em seu pai, um médico e cientista que deixou o filho trabalhar em seu laboratório quando ele tinha apenas 14 anos.

“Desde que eu tinha 6 ou 7 anos, não queria ser outra coisa que não biólogo”, conta Beutler, 53, em um comunicado divulgado após ter recebido o Prêmio Shaw, em Hong Kong, no mês passado.

Beutler mostrava um entusiasmo incomum para aprender, pulou vários anos na escola, e ingressou na Universidade da Califórnia, em San Diego, aos 18 anos. O pai o incentivou, então, a estudar medicina na Universidade de Chicago, o que, segundo Beutler, “foi um excelente conselho”.

Em 1998, fez uma grande descoberta envolvendo o receptor de lipopolissacarídeo (LPS), que revela como os mamíferos sentem uma infecção e como algumas doenças inflamatórias têm início.

Beutler e Hoffman dividiram em 2007 o Prêmio Balzan e, na semana passada, o Prêmio Shaw. Agora, dividirão metade do 1,48 milhão de dólares do Nobel, enquanto a outra metade irá para a família de Steinman, que morreu na última sexta-feira, após uma batalha de quatro anos contra um câncer.

“Acho que foi uma grande tragédia ele não ter vivido o suficiente para saber que ganhou o Nobel”, lamentou Beutler, que conhecia Steinman havia quase 30 anos. “Estou muito feliz por receber esse prêmio, principalmente na companhia dos meus honrados colegas Ralph Steinman e Jules Hoffmann”, disse. “Isso confirma que o trabalho que fizemos na década de 1990 para encontrar o receptor de LPS foi importante e valioso, e espero continuar usando o mesmo enfoque geral por muitos anos.”

Beutler, que preside o Departamento de Genética do Instituto de Pesquisas Scripps, na Califórnia, é pai de três filhos. Nenhum deles escolheu se dedicar profissionalmente à ciência, mas todos se interessam pelo tema, que, frequentemente, gera uma “discussão animada”, segundo seu pai.

“Eles foram testemunhas da maior parte da minha carreira científica, e viram em primeira mão o compromisso, as recompensas e os traumas que envolvem a ciência: o trabalho incansável marcado, muitas vezes, pela alegria de uma explicação. Outras, pela frustração”, comentou Beutler.

Fonte: Portal G1

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