O código da vida

Este código está dimensionado para construir indivíduos que se relacionam com outros de forma dependente e específica (bactérias, fungos, plantas, insetos, aves, peixes, etc). Os elementos destas relações passam por textura, forma, cor, sabor, odor, proximidade física e emocional, possibilitando o florescimento e continuidade das espécies envolvidas.

O florescimento, veículo de beleza e perfume, perpetuado na fecundação é a perspectiva da plenitude da vida. Onde os infecundos expressam incapacidade física ou social de reprodução.

Em incapacidade física encontramos os mais diferentes problemas relacionados com a produção e trânsito dos gametas, interação nucleotídica, replicação gênica, nidação e crescimento embrionário. Para que estes processos ocorram é necessário equilíbrio de uma variedade incomensurável de fatores que se expressam no plano bioquímico, montando os ácidos nucleicos de maneira ordenada. Uma evidência de que este equilíbrio foi quebrado em seu âmago, na sua essência molecular, é a sobrevivência de indivíduos com anomalias genéticas. No entanto a vida não lhes permite a reprodução, tornando-os progressivamente estéreis em suas gerações.

A sutileza desta quebra aconteceu na concepção, quando a replicação dos códigos dos pais (íntegros geneticamente) foi alterada. Se durante a transcrição do código, pessoas sadias podem ter problemas determinados por fatores ambientais, imagine indivíduos com alterações físicas, moleculares em seu DNA, como os híbridos interespécies?

A importância desta sutileza foi neglicenciada pelo nosso ambiente cultural quando considerou os híbridos um melhoramento.

Uma molécula, por exemplo de insulina, que sofreu pequena alteração em sua seqüência de átomos pode continuar funcionando, induzindo a formação de glicogênio e abaixando a glicose circulante (insulina suína, bovina e humana transgênica). No entanto nosso sistema imunológico consegue identificar esta pequena alteração e constrói anticorpos, considerando-o um corpo estranho, reagindo, desativando o hormônio e formando imunocomplexos que propiciarão o desencadeamento de reações alérgicas. Este desequilíbrio imunológico debilita o indivíduo, facilitando a instalação de doenças infecciosas, neoplásicas e degenerativas. A irritabilidade e diminuição da memória decorrentes da alergia cerebral geram confusões nas relações sociais e pessoais, induzindo depressões e violências. Lamentavelmente esta morbidade não é atribuída aos transgênicos e híbridos, dificultando assim o discernimento de sua agressão.

Grupos humanistas e naturalistas têm se manifestado especialmente quanto ao risco ambiental em alterar a estrutura genética das espécies existentes. Nesta discussão ambiental, em geral nos esquecemos do desequilíbrio imunológico pessoal que pode levar a um choque anafilático ou a degenerações tissulares irreversíveis que se apresentam nas mais diversas formas de doenças. O RNA espelha pedaços do DNA, e induz a formação de moléculas (enzimas, hormônios, proteínas, lípides) que irão compor os tecidos (músculos, pele, osso, nervos).

A maioria dos genes são estruturais, os mesmos estando presentes em todos os seres vivos. A biodiversidade manifesta-se principalmente através dos genes reguladores, que orientam os parâmetros dos genes estruturais. Pequenas alterações em genes reguladores determinam mudanças significativas no indivíduo. A suscetibilidade ambiental à radiações, enzimas, metabólitos químicos e mesmo endorfinas circulantes acaba por interferir nas funções desempenhadas pelo DNA e RNA (replicação, transcrição, translação, etc). Esta interferência resulta em mutações ou alterações entre as ligações moleculares dos nucleotídeos, expressando-se através de disfunções orgânicas e metabólicas, entre estas, a formação de proteínas orientada por uma seqüência artificial de bases.

Os híbridos e transgênicos produzem proteínas estranhas à natureza, (seqüência de aminoácidos complementares à seqüência de nucleotídeos do DNA alterado) e nosso sistema imunológico pode reconhecê-las como corpos estranhos que devem ser desativados, desenvolvendo assim reações potencialmente alérgicas. A polinização cruzada (que acontece nos campos mistos) é a técnica mais utilizada atualmente para o desenvolvimento dos híbridos.

Esta questão assume dimensões calamitosas quando observamos que a maioria dos produtos agrícolas são oriundos de sementes híbridas, tal como trigo, milho, café, laranja, abóboras, pimentões, couve-flor, etc. Difícil é saber quais produtos não provém de espécies misturadas (feijões selvagens são exceções, por sinal muito nutritivos e terapêuticos). Isto ajuda a compreender o avanço assustador que as doenças alérgicas vem apresentando nestes últimos tempos.

Esta perspectiva poderia explicar alergia à pólen e ao glúten, assim como diversos fenômenos imunológicos incompreensíveis até o momento. Glúten (fração protéica do cereal) e pólen (carreador do código genético) são produtos naturais, perfeitamente harmônicos à natureza. Por que induziriam alergias? Somente se estivessem alterados. O trigo é freqüentemente misturado com o centeio, originando o “Triticale”, amplamente utilizado como farinha na preparação de bolachas, macarrão e produtos de panificação em todo o mundo. E quanto ao pólen com efeito alérgico, a maior quantidade é devida às gramíneas que seguramente sofreram processos de polinização cruzada, devido à distribuição das pastagens ou intencionalmente para a obtenção de espécies com maior rendimento pecuário.

Na literatura médica, alergias aos transgênicos são as mais citadas (onde a adulteração genética é menos sutil que nos híbridos). Os transgênicos são obtidos através de engenharia genética, por meio de “transplantes” de segmentos de DNA, não só entre espécies diferentes como entre gêneros, grupos… por exemplo: genes de peixe em plantas, genes humanos em porcos… etc.

Entre espécimes disponíveis para plantio encontramos produtos comuns como milho, feijão, arroz, tomate, abóbora, canola. Nos outros ramos de atividade podemos lembrar de: produtos terapêuticos que utilizam esta técnica de engenharia genética, como a insulina dita humana, mas que é sintetizada por bactérias transgênicas com genes humanos; vacinas alimentares que estão sendo testadas com bananas transgênicas; coalho para queijos preparados com Echerrichia coli transgênica; fermentos para panificação e enzimas industriais com bactérias transgênicas; adoçante artificial aspartame que utiliza enzima transgênica; os produtos alimentícios industrializados: Creme de milho verde e Sopão de Galinha Knorr, Sopão de Galinha Pokemon (Arisco), Prosobee, Cup Noodles, Bac’os, Bac’n Pieces, Batata frita Pringles, Salsicha tipo Viena Swift, Ovomaltine Cereais e Fibras (Novatis), Mistura para bolo de chocolate Sadia (Anaconda), entre outros; ração com soja e milho transgênicos induzem produtos animais mais alergênicos, especialmente as aves. Nesta área as pesquisas têm sido das mais mirabolantes possíveis, e seguramente poucos terão discernimento de qualificá-las como antagônicas à vida.

Momentaneamente no âmbito alimentar, privilegiar grãos selvagens simboliza a brecha viável para a agricultura e alimentação natural, onde os feijões são estrela maior. Este empenho pessoal na severa vigilância da qualidade dos alimentos nos possibilitará esquivar de doenças desconhecidas, resultantes de tecnologias emergentes e inseguras.

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