Substância usada no plástico pode favorecer câncer de próstata

A exposição a uma substância usada para a fabricação de produtos plásticos como o PVC, filmes para a conservação de alimentos ou mesmo alguns tipos de cosméticos pode favorecer o desenvolvimento de câncer de próstata em ratos. Foi o que constatou estudo desenvolvido por um aluno do curso de Ciências Biomédicas do Instituto de Biociências de Botucatu/Unesp (IBB).

Com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o estudo “Expressão de proteínas reguladoras das vias celulares associadas à tumorigênese prostática e incidência de lesões em ratos adultos expostos ao Di-N-Butil-Ftalato (DBP) desde o período fetal, iniciados pela N-Metil-N-Nitrosureia (MNU)”, de autoria de André Rebelo Peixoto, analisou a relação entre uma substância usada como agente plastificante e o aparecimento de doenças prostáticas.

Durante sua investigação, Peixoto analisou os impactos que a substância DBP descartada no meio ambiente e a susceptibilidade de ratos machos expostos durante o período gestacional desenvolverem doenças prostáticas na idade adulta. O material pode ser encontrado em produtos plásticos de alta maleabilidade, aerossóis, em alguns produtos cosméticos, como esmaltes.

Para isso, um grupo de ratos recebeu doses do DBP antes e após o nascimento, até completarem oito meses de vida. Após esse período, passaram por autópsia para verificar as variações no organismo em comparação com outros grupos do experimento, que não receberam o aditivo.

Os dados iniciais obtidos pelos pesquisadores apontaram que a exposição entre no final da gestação e até uma semana após o nascimento (perinatal) ao DBP pode facilitar a ocorrência de lesões de diversos níveis na próstata de ratos adultos. “A degradação dos materiais plásticos é uma problemática mundial e sua dispersão no meio ambiente tem sido constante. Através desse panorama, a substância em questão favoreceu alterações nas células da próstata dos animais expostos”, frisou Peixoto.

O trabalho teve a orientação do professor Wellerson Scarano e a colaboração de Talita de Mello Santos- ambos do IBB-, além de outros pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Unesp de São José do Rio Preto.

Professor Scarano ressalta que estudos visando a elucidação dos mecanismos de ação desse composto na próstata devem trazer grande contribuição a literatura científica, que é carente neste aspecto. “É importante salientar que esses estudos foram realizados em ratos e que os resultados obtidos não podem, a princípio, serem extrapolados para outras espécies”.

Fonte: UNESP

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