TV e PC podem contribuir para pior nível de relacionamentos entre adolescentes

Adolescentes que passam muito tempo assistindo à TV ou usando computadores parecem ter relacionamentos mais distantes com seus pais e colegas, de acordo com um estudo publicado no periódico Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine.

Nos últimos 20 anos, os adolescentes têm cada vez mais participado de atividades mediadas por recursos eletrônicos. “A disponibilidade e a atratividade desse tipo de mídia têm causado bastante curiosidade nos pesquisadores, ao mesmo tempo em que traz preocupações sobre como isso substitui outras atividades presenciais, que são importantes para a saúde e o desenvolvimento desses indivíduos”, afirmam os autores. “Algo interessante é observar como esses tipos de equipamentos eletrônicos afetam a qualidade dos relacionamentos.”

Rosalina Richards, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, e seus colaboradores, observaram adolescentes com idade entre 14 e 15 anos. Eles foram convidados a preencherem questionários sobre seus hábitos durante as horas vagas, assim como sobre seus relacionamentos com pais e amigos.
Quanto mais tempo assistindo à TV ou se divertindo com jogos no computador, piores as relações interpessoais, ou seja, maior dificuldade em terem laços afetivos. Em média, os adolescentes tinham uma piora de 4% a 5% nos níveis de relacionamento observados para cada hora na frente da televisão ou do computador. Na contramão, os adolescentes que tinham hábitos de leitura ou se concentravam em tarefas acadêmicas tinham os melhores relacionamentos.

“A ideia geral é que ter acesso aos programas de TV ou computador faria que os adolescentes tivessem mais assuntos para serem discutidos e isso seria benéfico para seus relacionamentos”, dizem os pesquisadores. “Porém, isso não se mostrou verdadeiro.”

Há uma série de mecanismos que podem ter relação entre tempo gasto em frente a mídias eletrônicas e piores níveis de relacionamento. Os adolescentes com televisão ou computador no quarto podem, por exemplo, ter menos contato com a família, incluindo o tempo gasto com as refeições em conjunto. “Entretanto, também é possível que esses indivíduos tenham menos amizades diretas e, como reflexo disso, invistam mais tempo em procurar amizades virtuais ou mesmo os chamados “relacionamentos parassociais”, ou seja, relacionamentos ilusórios com personagens diminuindo as necessidades de inclusão emocional real.

Os laços emocionais entre pais e amigos são importantes para o desenvolvimento saudável dos adolescentes e os dados coletados pelo estudo mostram a necessidade de se observar o tempo gasto por esses indivíduos na frente das telas de TV ou computador. “Com o rápido avanço das tecnologias é importante monitorar os efeitos – negativos ou positivos – desses aparatos no desenvolvimento do bem-estar psicológico, social e físico desses adolescentes”, enfatizam os autores.

Mais informações: Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine

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