Um a cada três homens de 18 a 24 anos abusa do álcool no país

Pesquisa feita pelo Ministério da Saúde mostra que 32% dos homens e 14% das mulheres entre 18 e 24 anos, com mais de oito anos de estudo, estão consumindo álcool de forma abusiva. Os dados fazem parte da pesquisa Vigitel 2012 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) que apresenta indicadores da saúde do brasileiro, como excesso de peso e obesidade, alimentação, sedentarismo e consumo de álcool.

É considerado consumo abusivo cinco doses ou mais de bebidas alcoólicas para homens e quatro ou mais doses para as mulheres. Homens continuam a beber mais. Durante a pesquisa, ficou claro que as pessoas que mais estudaram (cerca de 12 anos) consomem mais e dirigem: 11,7% dos entrevistados assumiram que beberam e dirigiram, sendo 19% homens, um em cada, e 6% de mulheres.

“Impactos a curto prazo aparecem no trânsito e na violência, como o aumento de homicídios por causas fúteis. Todos sabem que o álcool tem efeito potencializador nesses casos”, afirmou o secretário de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, durante a divulgação da pesquisa, nesta terça-feira (27), em Brasília.

O secretário comenta que o consumo excessivo é algo que só preocupará a pessoa lá na frente, quando surgir uma doença. “São necessárias ações de empresas, escolas, profissionais de saúde e família para que haja redução de consumo abusivo”.

“Chamo a atenção para a importância da Lei Seca, não temos dados para comparação, mas é muito provável que a menor proporção apontada, em Recife e Rio de Janeiro, sejam reflexo das operações da polícia que estas cidades têm feito. São impactos decisivos para que as pessoas não bebam e dirijam”, lembra o ministro da saúde, Alexandre Padilha, também presente ao evento.

Obesidade

Segundo a pesquisa, 51% da população brasileira está acima do peso, a proporção avançou de 42,7%, em 2006, para 51%, em 2012. Sendo que 54% dos homens estão acima do peso, contra 48% das mulheres.

Barbosa citou o excesso de peso e obesidade como desafios: “Somos mais magros que nossos vizinhos, mas é preciso intensificar o combate a isso. É preciso que seja algo em conjunto. Começando pela cantina da escola, pelo restaurante da empresa e chegando à família para que não substitua água por refrigerante, por exemplo”.

“Ou cuidamos deste excesso de peso agora ou chegaremos muito rapidamente aos mesmos patamares de países como Estados Unidos e Chile”, disse Padilha.

Só para ter uma ideia, nos Estados Unidos, 28% da população é obesa. No Brasil, 17,8% já é considerada obesa.

“Nutricionistas dizem que nossa dieta natural é bem equilibrada, arroz, feijão, salada e um bifinho. Porém, o brasileiro está substituindo isso por alimentos de alto valor calórico e pouco nutritivos”, alertou Barbosa.

Homens estão com mais excesso de peso, mas mulheres estão mais obesas que eles. “Este dado está agregado com a escolaridade. Quem tem menos de oito anos de estudo tem mais excesso de peso, É uma tendência mundial. Isso acaba com aquela ideia de que doenças crônicas não transmissíveis são maiores em países desenvolvidos”, afirmou o secretário.

A pesquisa confirmou que as mulheres com menos instrução são a maioria entre os que estão acima do peso. Geralmente quem tem mais nível educacional tem acesso a informações sobre alimentação.

O consumo regular frutas e hortaliças, por exemplo, chega a 45%, entre quem estudou mais e fica em 34% entre os que têm menos de oito anos. Entre os jovens, 28% substituem água por refrigerante, teor de açúcar muito elevado. Já o feijão, utilizado na pesquisa como indicativo de menor substitutivo pelo alimento industrializado, é mais consumido entre os que têm menos anos de estudo.

A pesquisa também mostrou que está havendo uma redução do teor de sódio no consumo dos brasileiros. Barbosa diz que estudos na Europa e América Latina mostraram que reduzir o sal de alimentos industriais produz efeito na redução da pressão arterial. “No Brasil há acordos com indústrias. Neste ano começa a primeira rodada que vai até 2014 quando vários alimentos terão sódio reduzido”.

Atividade física

Outro quesito da pesquisa, atividade física no tempo livre, mostrou que os homens estão mais ativos que as mulheres. Do total de 33,5% pesquisados que confirmaram praticar alguma atividade como caminhar ou andar de bicicleta, 41,5 eram homens e 26,5 mulheres. “É bem maior o crescimento entre os homens, mas aumentou um pouco também entre elas nos últimos quatro anos. As mulheres devem estar tomando mais consciência”, conta Barbosa.

Jovens entre 18 e 24 mais ativos. “Depois há uma queda, porém, notamos que aos 49 anos, as pessoas veem que não podem parar com as atividades e a queda diminui. Porém, a inatividade cresce por volta dos 65 anos, provavelmente por causa da aposentadoria”, completa o secretário.

Para ajudar as pessoas há abandonarem o sedentarismo, Barbosa lembra que há 2.800 polos da Academia da Saúde, espaços públicos para a realização de atividades físicas, espalhados pelo país para que as pessoas de áreas mais pobres que tenham consciência da importância da atividade física encontrem espaços adequados.

Saúde

A pesquisa também mostrou que o número de mamografias nas capitais chegou a 71%, um aumento de 9% em 10 anos. “Isso mostra que 74,7% das mulheres fizeram o exame na última década. Chegamos perto dos 80%, número considerado adequado”, comenta Barbosa.

As regiões sul e sudeste têm os melhores índices, sendo que norte e nordeste continuam com números índices.

Barbosa também conta que o ministério fez um investimento de 4,5 bilhões para diagnóstico de câncer, distribuídos entre o de colo de útero e o de mama, e para a divulgação de informações de como prevenir a doença. “No caso do câncer do colo de útero, mais de 80% das mulheres estão sendo testadas. A área rural tem peso importante e temos feito esforços para que aquelas sem acesso, passem a conseguir prevenção e diagnósticos mais precoces”.

Fonte: BOL Notícias

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